terça-feira, 28 de março de 2017

Caixa Com Relevo

Terminei mais uma caixa. 
Na tampa, utilizei stencil com massa de relevo, sobre  craquelado em dois tons de azul.
Rematei a tampa com renda.
Nas laterais pintei riscas dos dois tons de azul e, sobre elas, novamente stencil com massa de relevo.





Obrigada pela sua presença. Volte sempre.







segunda-feira, 27 de março de 2017

Penacova

Nas minhas viagens à aldeia, quando passo pelo IP 3, a vila de Penacova surge num local de grande beleza natural, numa encosta sobranceira ao Mondego

As origens de Penacova são desconhecidas mas bastante antigas. Pensa-se que a  povoação nasceu num  Castelo, por volta do século IX ou X,  numa época anterior à fundação de Portugal.
A primeira referência à povoação foi em 911, na doação do Mosteiro do Lorvão, havendo citações a Penacova e ao seu castelo.  
Em 1192, recebia o seu primeiro foral, doado por D. Sancho I,  confirmado por D. Afonso II em 1217. Em 1513, D. Manuel I concedeu-lhe foral novo e em 1605, o rei D. Filipe II, elevou-a à categoria de Concelho.


A padroeira de Penacova é Nossa Senhora da Assunção. 
A primitiva igreja paroquial era a Capela de Nossa Senhora da Guia, situada junto às ruínas do Castelo mas, como era pequena e de  difícil acesso, foi construída a actual  Igreja Matriz durante o século XVI.   
Na fachada da Igreja de Nossa Senhora da Assunção destaca-se  o portal, em pedra encimado por frontão, onde figuram as imagens da padroeira e dois anjos. 
A torre sineira foi erigida do lado direito,  mas   recuada em relação à fachada.
O  interior tem uma única  nave, ladeada por várias capelas e com   tecto de madeira  em forma de abóbada.  No  altar-mor sobressai um retábulo em talha dourada, do final do século XVII.

Na  Sacristia, destaca-se uma lápide romana do séc. I que comprova a romanização da vila.




Penacova orgulha-se do seu Património, com outros  monumentos para além da sua Igreja Matriz.


- Capela de São João 

Templo do século XVI remodelado  mais tarde. 
No exterior tem um um alpendre de três arcos e no interior um Retábulo de pedra e dois nichos com as imagens  de São João Baptista e de São Sebastião.

- Capela  de Santo António (século XVII) 

Data do século XVII mas foi remodelada nos séculos seguintes. O alpendre possui quatro colunas na frente e uma a meio de cada lado. No interior destaca-se um retábulo secundário, de finais do século XVII, princípios do século XVIII, com  as esculturas de Santo António e de São Francisco, da mesma época. Na Capela-Mor existe  uma campa com brasão não identificado, devido a estar muito gasto e sumido.

- Pelourinho da Vila

Transformado  em cruzeiro, o pelourinho situa-se  no local onde antigamente   existia   o Castelo. 
- Museu Etnográfico de Penacova
- Miradouro
Datado do início do século XX, este miradouro foi mandado construir por Emídio da Silva. Deste local pode-se desfrutar duma bonita paisagem sobre o Mondego, o vale da Ribeira e o cume de Nossa Senhora do Monte Alto.



Obrigada pela sua presença. Volte sempre.





sexta-feira, 24 de março de 2017

Porque é fim de semana: Candosa

Porque é fim de semana, vamos prosseguir  a descoberta das aldeias do concelho de Góis e da União  das Freguesias  de Cadafaz e Colmeal. 


Vamos até Candosa.
Esta pequena aldeia fica  situada a 15 Km da sede de concelho,  na margem esquerda do rio Ceira.
 

A Candosa foi beneficiada por uma natureza envolvente fértil em espécies arbóreas raras que, em conjunto com a frescura do rio  e a hospitalidade das suas gentes, conferem à aldeia uma beleza e encantos naturais.

A padroeira de Candosa  é Nossa Senhora  dos Remédios.
A Capela, situada no local mais alto da aldeia, foi construída por acção dos habitantes da povoação, terminada em 1958.
É uma capela de pequenas dimensões, constituída por uma só nave, Capela-Mor e Sacristia.
Para além da imagem de  Nossa Senhora dos Remédios, tem também  Santa Filomena e  Santa Rita da Ribeira.





Obrigada pela sua presença. Volte sempre.











quinta-feira, 23 de março de 2017

Vila Franca II

Localizada  a aproximadamente 30 Km da capital, a pitoresca  cidade de Vila Franca de Xira é sede de concelho, do qual fazem parte seis  freguesias: Alhandra, Calhandriz e São João dos Montes; Alverca do Ribatejo e Sobralinho; Castanheira do Ribatejo e Cachoeiras; Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa; Vialonga e Vila Franca de Xira.
Toda a região onde se encontra implantada esta cidade, foi ocupada desde tempos ancestrais, como o comprovam  os achados arqueológicos  encontrados ao longo dos tempos, que nos remontam para perto de um milhão de anos.  
Bem mais tarde, foi ocupada pelos vários povos que invadiram e se fixaram no país. Na área ocupada pela cidade, surgiu a Vila de  Povos, uma povoação portuária onde os mercadores romanos faziam o seu comércio, chegando aos nossos dias vestígios de edifícios, ossos humanos e várias peças de cerâmica.
Os Mouros também  deixaram a  marca da sua presença, numa estrutura defensiva localizada  no Alto do Monte do Senhor da Boa Morte e o gosto na arte  de domar  cavalos selvagens e lidar  touros.
Durante a reconquista cristã, D. Afonso Henriques foi auxiliado por cruzados ingleses e,  como reconhecimento, doou-lhes  alguns   terrenos situados nas margens do Tejo.
Estes  fundaram então uma povoação onde predominava a  actividade mercantil, tendo como modelo as feiras francas nascendo assim Vila Franca.

No entanto, os ingleses não ficaram muito tempo e devolveram as terras ao rei.
Em 1195, D. Sancho I concedeu carta de foral à Vila de Povos e, preocupado com os constantes ataques muçulmanos, em 1206, entregou Vila Franca e a herdade de Cira a D. Froila, nora do rei de Leão e Castela e prima do rei português, para que implementasse o povoamento e defesa da região.
Em 1212, esta nobre fidalga concedeu foral a Vila Franca de Xira, unindo as suas propriedades que, mais tarde, doou à Ordem dos Templários. 
Até voltar à posse do reino, Vila Franca de Xira pertenceu ainda à Ordem de Cristo.
Com o passar dos tempos, a povoação de Portos foi perdendo importância enquanto Vila Franca se desenvolvia cada vez mais.
Foi durante a   época dos descobrimentos que Vila Franca de Xira viveu anos de maior notoriedade. Nos seus estaleiros foram construídos muitos dos navios que partiram à descoberta de novas terras  e, em 1487, dali partiu a armada de Bartolomeu Dias  que, pela primeira vez,  dobrou o Cabo da Boa Esperança.
Apesar de também ter sofrido grandes danos com o terramoto de 1755, Vila Franca de Xira acolheu um grande número de famílias nobres que fugiram de Lisboa.
Várias quintas agrárias surgem por toda a região mas é do outro lado do rio, em plena lezíria ribatejana que os vilafranquenses encontram o seu modo de vida. Os touros, os cavalos  e os campinos são a imagem de marca da região.
Durante a Terceira Invasão Francesa, a região periférica de Vila Franca de Xira teve uma importância primordial na defesa da cidade de Lisboa, com a construção das fortificações das Linhas de Torres.
Em 1823, esta localidade foi  palco duma rebelião. O  Infante D. Miguel, apoiado por sua mãe a rainha  Carlota Joaquina,  opôs-se à Constituição de 1822, querendo restaurar o absolutismo. Este  movimento,  conhecido por Vilafrancada, acabou por fracassar com a rendição dos revoltosos.
A industrialização e a construção linha-férrea que ligava Lisboa ao Carregado, provocaram novo grande  aumento da população.

As grandes famílias agrárias davam também trabalho sazonal a muitos trabalhadores, vindos de vários pontos do país e alguns acabaram por se fixar na região.
Em 1932, realiza-se a primeira festa do Colete Encarnado.

Devido à dificuldade de ligação entre as duas margens, que apenas se fazia de barco, há muito se pensava na construção duma ponte que ligasse as duas margens do Tejo. Assim, em  1951 foi construída a Ponte Marechal Carmona, que em muito beneficiou tanto os trabalhadores que diariamente se deslocavam para as  lezírias como para todos aqueles que se dirigiam para o Sul do país.
No que concerne ao património da cidade, para além dos citados no post anterior, podemos destacar:
- Alto do Senhor da Boa Morte

Este é um local onde  existem indícios de povoamento e necrópoles medievais e as ruínas  de um solar dos séculos XVI a XVIII, pertencente à família dos Ataíde, condes de Castanheira. Ali, foi construído um santuário com uma capela em honra do Senhor da Boa Morte, dos séculos XVI a XVII.

- Celeiro da Patriarcal

Este edifício foi construído em meados do século XVIII, para a Igreja Patriarcal de Lisboa. No  exterior, sobressai o remate da porta  e o frontão  que encima a sua fachada principal.Actualmente, é um local utilizado para exposições temáticas.

- Igreja da Misericórdia

Datado do século XVI, esta igreja aloja, no seu interior,  importantes obras de arte sacra, bem como  um importante conjunto de azulejos do século XVIII, alusivos às  Obras da Misericórdia.

- Pelourinho de Povos


Classificado como Imóvel de Interesse Público,  este pelourinho manuelino foi construído junto à Casa da Câmara da
antiga Vila de  Povos, no cruzamento da estrada real com a rua que dava acesso à Igreja Matriz de N. Sra. de Assunção de Povos.

- Pelourinho de Vila Franca de Xira

De estilo  manuelino, tem a esfera armilar,  símbolo das armas de D. Manuel, na parte superior.

 Obrigada pela sua presença. Volte sempre.





quarta-feira, 22 de março de 2017

Vila Franca de Xira I

No passado Sábado, no âmbito das   reuniões mensais, do grupo do qual faço parte com o meu marido,   desloquei-me a Vila Franca de Xira,  para mais um encontro gastronómico-cultural.

Após uma excelente viagem de combóio, recordando   as deslocações que fiz durante os dois anos que leccionei neste concelho, chegámos ao nosso destino.


Ao abandonar o combóio,  uma bela colecção de painéis de azulejos, do Mestre Jorge Colaço, atraiu a minha atenção.
Neles estão  representadas algumas das profissões mais usuais da população desta localidade, ao longo dos tempos.

A escolha desta cidade teve como objectivo aproveitar a época do sável, um peixe do rio que durante o mês de Março é rei da gastronomia vilafranquense. 
Após um excelente repasto, demos início à parte cultural deste encontro.

Visitámos uma exposição de fotografia dos anos 50, um legado do fotógrafo  Carlos Tomé,  ao mesmo tempo que nos eram prestadas informações sobre a história da localidade e seu modo de vida na época


Deambulámos depois, por algumas ruas de Vila Franca a caminho da Igreja  do Mártir  São Sebastião, datada de 1576.


Esta igreja foi mandada construir pelo rei D. Sebastião, cumprindo uma  promessa feita durante a peste   de 1569 
Ao longo dos anos, para além de local de culto, este templo foi utilizado para diversos fins, até que em 1997, a Câmara Municipal procedeu a obras de restauro e adaptou-o a espaço museológico, onde estão patentes alguns objectos encontrados em escavações efectuadas na região.

Antes  da entrada, foi-nos dada uma retrospectiva da história desta localidade  que apesar de ser uma cidade recente, tem uma origem muito antiga. Estas  informações serão alvo do próximo post.


Para além dos achados arqueológicos, pudemos apreciar a arquitectura da igreja, onde se  enfatiza o retábulo da capela-mor e  o tecto em abóbada,  com estuque pintado.
Culturalmente mais ricos, regressámos a nossas casas já a pensar no próximo encontro.

 


              Obrigada pela sua presença. Volte sempre.